COMO NUM CURIOSO E INOPINADO JOGO, A SOLIDARIEDADE DOS ATLETAS VITORIANOS MARCOU MUITOS PONTOS, ENCHENDO TODOS DE ORGULHO...

Era dos primeiros jogos de 1938...

Um dos muitos particulares que se faziam na altura, depois o distrital ter findado e o Campeonato da II Liga não ser encetados. Na sua caixinha de fósforos, chamada Benlhevai, o Vitória recebia um pitoresco emblema denominado de Brigada Naval do Porto, que era um núcleo da Legião Portuguesa, uma organização paramilitar do Estado Novo.

Num jogo em que, como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 16 de Janeiro de 1938, verificou-se "logo nos primeiros esquemas a superioridade técnica dos donos do terreno", o Vitória haveria de adiantar-se no marcador "com um goal de boa marca alcançado por Zeferino com uma autêntica brasa."

A segunda parte haveria de confirmar o ascendente vitoriano que acabaria por triunfar por quatro bolas a uma, numa partida que ficou marcada pelo gesto de enorme nobreza da equipa vitoriana no intervalo da partida. Assim, "procederam os rapazes do Vitória è recolha de alguns óbulos para auxiliar o seu antigo companheiro de equipa António Gonçalves (Laureta), vítima de uma gravíssima doença." Com os ídolos, humildemente a requisitarem o apoio dos presentes, a "recolha foi bem aceite pela assistência que não se recusou a contribuir para minorar a desdita daquele que tantas vezes se fez aplaudir, mercê das suas faculdades de jogador."

Por isso, exortava-se "aquelas pessoas que o possam fazer não esqueçam o pobre e infeliz desportista, tão carecido de auxílio." Mas, acima de tudo, elogiava-se a equipará que "os rapazes do Vitória dignificaram-se pela beleza da sua acção, reveladora de nobres sentimentos fraternais."

O Vitória marcava pontos e afirmava a sua identidade, também, para lá do jogo...

Postagem Anterior Próxima Postagem