O Vitória naquele início de temporada de 1959/60 vivia em absoluto estado de graça. Uma euforia desmedida confirmada por diversos indicadores que punham todos os apaixonados pelos Conquistadores em efervescência.
Na verdade, no defeso o clube cobrira-se de honra e glória graças à sua primeira digressão a outro continente, in casu a África, onde vencera todas as partidas que disputou, para os seus jogadores serem recebidos no regresso. Porém, mais do que isso, houvera findado o campeonato anterior, o do seu regresso à Primeira Divisão após três anos de afastamento, num belíssimo quinto posto, lugar que à data era considerado como "campeão dos outros", pois ficou, apenas, atrás dos três mais titulados e do Belenenses que, por essa altura, ombreava com estes.
Assim, naquele dia 20 de Setembro de 1959, data da primeira jornada do campeonato, as expectativas eram imensas. Seria o Vitória, agora, orientado por Humberto Buchelli capaz de darcontinuidade aos bons indícios já mencionados na estreia da prova maior do futebol português frente aos alentejanos do Lusitano de Évora?
Naquele dia, a alinhar com Pinho; Caiçara, Abel; Barros, Silveira e João da Costa; Bártolo, Edmur, Romeu, Carlos Alberto e Daniel, a equipa vitoriana daria ainda mais gás a esse entusiasmo. Como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de 27 de Setembro de 1959, graças "ao futebol convincente por parte do Vitória, tanto de bem ordenado como de rápido e incisivo" o Vitória deu um verdadeiro festival, que poderia dizer-se "em juízo brasileiro, teve quase tantas bolas na esquadria como as que mandou para dentro do viveiro." E, no viveiro entraram sete, três obra de Edmur e dois por intermédio de Daniel e de Romeu.
Tal levava que se acreditasse que "temos equipa (...) para fazer figura(...). A equipa do Vitória pode passar de surpresa ou sensação a confirmação, quebrando a rotina tradicional do campeonato." Para isso suceder, para além das boas indicações deixadas, ajudava a bela estreia do defesa Caiçara, que "demonstrou, neste jogo, possuir as qualidades que a mais desenvolvida exigência pode desejar para um defesa: poder físico invulgar; excelente bater de bola, bom poder de desarme; óptimo sentido de entrega do esférico, etc.". Além disso, a qualidade que o haveria de tornar inesquecível entre os vitorianos, pois "é ainda senhor de um tão respeitável pontapé, que os livres perto da grande área vão passar a ser lances muito desejados pelos adeptos do clube de Guimarães."
Era uma entrada altissonante no Campeonato a prometer mundos e fundos.. mas que não se haveria de confirmar no final num grande campeonato. Mas isso, serão outras histórias...
