Chegou ao Vitória no início da temporada de 1987/88. Num ataque órfão de Paulinho Cascavel, era sobre ele que recaíam as esperanças de grandes façanhas, de grandes momentos, de golos inesquecíveis. Apesar de ser um jovem em adaptação, ainda conseguiria dúzia e meia num ano em que o Vitória conviveu de perto com a desilusão depois da exaltação do ano anterior.
Caio Júnior era, porém e sem qualquer dúvida, um jogador especial. Mágico e imprevisível, num dia bom era capaz de arrastar a equipa consigo, em lampejos desequilibrantes de bom futebol, mas em outros dias mais apagado, mais infeliz, como se um interruptor o fosse capaz de ligar e desligar.
Seria assim durante cinco temporadas, até 1992, com especial destaque para essa primeira temporada de Rei ao peito, mas também para a de 89/90, onde no esquema de 3-4-3 gizado por Autuori foi pedra de toque.
Nesse momento, ao abandonar o Vitória sentia-se que podia ter dado mais, que podia ter enfeitiçado mais os defesas contrários... e que a sua ligação ao Vitória teria ficado como que por concluir, faltando alguma coisa!
Tal seria confirmado muitos anos depois, mais concretamente meio ano antes de morrer, ainda ao serviço do Shabbab Dubai e pouco antes de abraçar o último trabalho da sua vida, a Chapecoense. Nesse momento, em Março de 2016, já Caio houvera ganho estatuto como treinador, inclusivamente sido eleito o melhor treinador do Brasil em 2007, e vencido o estadual paranaense e o baiano.
Era, pois, um nome consagrado e cheio de ambição que assumia nessa entrevista ao Mais Futebol manter uma relação muito forte com o nosso país pelo seu filho ter aqui nascido e por ainda ter uma cunhada a viver em Lisboa. Mas mais do que isso, tinha um sonho que passava por Guimarães e pelo Vitória, pois "no Brasil não me imagino nos próximos tempos. Preferia trabalhar em Portugal, vejo essa hipótese com muito interesse, depois de terminar o meu compromisso com o Shabab. E, nessa perspetiva, claro que o Vitória Guimarães, por todos os motivos, seria o clube perfeito para mim"
Contudo, como bem sabemos a vida dá muitas voltas... esse convite vitoriano jamais surgiria e ao contrário do que pensava três meses depois estava a regressar ao Brasil para assumir um desafio chamado Chapecoense. Aquele trabalho que tinha tudo para acabar em glória mas que o terrível acidente aéreo que conhecemos cerceou... e com ele foram todos os sonhos!
