Aquele Vitória, versão 2007/078, fazia sonhar...
Com efeito, a equipa de Manuel Cajuda, depois de ter regressado ao escalão maior, andava nos lugares cimeiros da tabela, jogava bem...e levava uma cidade atrás, sempre desejosa de novos feitos e glórias.
Tal sucedeu naquela Segunda-feira à noite, 26 de Novembro de 2007, em que o Vitória, posicionado no terceiro posto, deslocou-se ao covil da Pantera, para confirmar o bom momento que vivia, já que em dez jogos a contar para o campeonato só houvera sido derrotado no Sporting.
Contudo, nesse dia, desde logo, existia uma contrariedade. Na verdade, nesse ano, uma das maiores forças da equipa residia na excelência da dupla de centrais composta por Pedro Geromel e Sereno, sendo que este último encontrava-se impossibilitado de jogar. Teria de ser escolhido novo parceiro para o, então jovem e talentoso brasileiro, que seria o sérvio Radanovic.
Assim, a alinhar com Nilson; Andrezinho, Geromel, Radanovic, Luciano Amaral; Flávio Meireles, João Alves, Fajardo; Alan, Ghilas e Desmarets, o Vitória sentiu, como escrevia o Povo de Guimarães em análise ao jogo, o verdadeiro espírito das Nicolinas. Assim, no seu título, simplesmente dizia "Roubalheira Antecipada (em alusão ao número Nicolino) no Bessa".
Contudo, diga-se que o Vitória entraria mal no jogo e o Boavista beneficiando do desacerto do central sérvio em estreia, aos 14 minutos já perdia por duas bolas a zero, o que fez Cajuda mexer na equipa. Lançou em liça, Felipe Tigrão, que terá feito o seu melhor jogo de Rei ao peito, para retirar o lateral Luciano Amaral.
"O Vitória passou a mandar no jogo, e até final não deu mais hipótese ao Boavista de construir jogadas de perigo, a não ser por contra-ataques muito raros." Desse modo, Felipe Tigrão haveria de reduzir diferenças "numa cabeçada com grande classe", para, já na segunda metade, Tiago Targino igualar a contenda.
Refira-se que, até esse momento, o árbitro Lucílio Baptista já houvera prejudicado os interesses vitorianos, já que "aos 22 minutos, antes do golo de Felipe, João Alves é carregado na área por Marcelão, mas o setubalense, à sua imagem, fez vista grossa sobre este lance. Haveria de se fazer igualmente despercebido, quando viu Felipe ser agarrado por Jehle, num lance claro de grande penalidade que apenas os senhores juízes não quiseram ver."
Com o resultado empatado a duas bolas, o Boavista haveria de chegar ao tento do triunfo pelo antigo vitoriano, Ricardo Silva, que, segundo a crónica consultada do jornal Povo de Guimarães, " não estaria em campo, nem este resultado teria que ser assim, caso o árbitro da partida, o artista Lucílio Baptista, tivesse assinalado e punido uma entrada do capitão do Boavista ao joelho de João Alves em plena grande área."
Era, pois, "incrível como foi não perceber esta falta grossa", o que levava a que se considerasse que o jogo fora "desesperante e frustrante, para além de revoltante". Apesar disso e da dolorosa derrota, os Conquistadores haviam realizado "uma grande partida de futebol, que teve praticamente um único sentido, a baliza do internacional do Litechenstein, Peter Jehle."
O Vitória saía derrotado, mas de cabeça erguida, em mais um dia de tropelias de Lucílio Baptista...
