COMO UMA ORIGINAL SELECÇÃO ENFRENTOU O VITÓRIA NUMA HOMENAGEM A UM DOS NOSSOS QUE NOS DEIXOU CEDO DEMAIS, MAS QUE REVELOU JOVENS QUE SERIAM IMPORTANTES NO FUTURO!

Francisco da Costa foi um jogador relevante na história do Vitória. Natural de Fão, foi contratado na temporada de 1947/48 ao Gil Vicente, para passar onze temporadas de Rei ao peito. O voluntarioso e abnegado defesa tornar-se-ia, por isso, um vitoriano de coração, passando por momentos como a descida de divisão e a luta para os Conquistadores regressarem ao lugar que era seu de direito. Seria após esse momento, e depois de disputar duas partidas no ano em que o Vitória regressou ao escalão maior, que decidiria abandonar o clube e a carreira, quase como se sentisse que a missão de ajudar a colocar a equipa no seu lugar estivesse cumprida.

Porém, o destino encarregar-se-ia de ser inclemente com ele. Faleceria no final de 1960, com, apenas, 37 anos. Por isso, a vertente solidária vitoriana falou mais alto, organizando-se uma festa de homenagem póstuma, em que equipa que fora a sua enfrentou uma selecção de brasileiros, retratada na fotografia, e onde pontificavam nomes bem conhecidos como Caiçara, Ernesto e Edmur que habitualmente jogavam de Rei ao peito, ao invés do que fizeram nessa tarde de final de ano de 1960.

Como escreveu o jornal Notícias de Guimarães de Ano Novo de 1961, "Fica na história do Desporto vimaranense a Homenagem póstuma a Francisco Costa. E fica-o pela demonstração de magnanimidade do coração vimaranense, pelo gesto altruísta dos jogadores brasileiros que nela comparticiparam e pelo espectáculo que proporcionou em si."

Num dia de intempérie, como que a chorar o infausto atleta, todos ficaram marcados "pela entrada em campo simultânea das duas equipas, conduzindo bem estendidas e ao alto, as bandeiras do Brasil, de Guimarães e do Vitória foi ideia boa e que muito agradou." A juntar à tarde de emoções à flor da pele, o discurso de Hélder Rocha que fez com que "muitos olhos se enchessem de lágrimas, de lágrimas de saudade por quem bem as merecia."

Quanto ao jogo com o Vitória a alinhar com Dionísio; Freitas, Daniel; Trenque, Silveira, Virgílio; Bártolo, Pedras, Azevedo, Romeu e Augusto Silva, apesar do resultado ser o menos importante, este cifrar-se-ia num triunfo por quatro a três, com golos vitorianos de Bártolo, Augusto Silva, Pedras e Romeu, enquanto os dos brasileiros, também, tiveram sabor a Vitória já que Ernesto bisou e Edmur marcou o outro.

Por fim, um aspecto que fazia os vitorianos sorrirem, apesar do dia não ser para grandes festejos. Na verdade, "o encontro serviu ainda para mostrar que, no Vitória, se está realizando um trabalho em profundidade, cujos frutos já estão bem patentes. Pedras, A. Silva, Mário e Dionísio, três jovens (sic) de pouco mais de vinte anos, deram provas que quando forem chamados à primeira categoria, não deixarão ficar mal quem os colocar..."

O escriba não se enganaria como o futuro haveria de comprovar.

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