COMO DJALMA, DEPOIS DE TEMER-SE O SEU DESVIO, ESTREOU-SE EM VIGO, PERANTE OS OLHARES DE MUITOS VITORIANOS E NA ANTECÂMARA DE UMA TEMPORADA INESQUECÍVEL...

Vivíamos a preparação da temporada de 1965/66. O Vitória, liderado por Manuel Cardoso do Vale apostara forte, escolhendo o francês Jean Luciano para treinador, que o jornal A Bola garantia ser o contrato mais caro da história do clube.

Mas, tal não era suficiente. Assim recomendado pelo vitoriano radicado no Brasil, conhecido pelo "Pimenta do Brasil", iria chegar um homem em quem eram depositadas muitas esperanças e que já fomos falando dele aqui: Djalma.

Um avançado que dizia o Notícias de Guimarães que conjuntamente com Morais seriam "dois brasileiros, tão credenciados como foram os melhores que terão passado por Guimarães, representam o primeiro sinal dessa directriz, ultimamente confirmada com a aquisição de Vieira, um extremo nato, cuja falta há muito se fazia sentir no conjunto vitoriano." Previa-se, por isso, que "Djalma e Mendes podem ser dois pontas de lança rematadores e codiciosos."

Contudo, o avançado brasileiro não chegaria na altura prevista, o que causou alarme e preocupação na cidade vimaranense. Surgiram dúvidas sobre se o jogador não houvera sido desviado para outros caminhos. Viria, depois a saber-se, ter-se tratado de "uma questão pessoal, familiar e fora do âmbito desportivo", que levou a que o jogador adiasse a sua viagem. Aliás, tal indiciaria o seu carácter errático no que a questões extra-futebolísticas se referia, pois "separado da esposa, Djalma teve de garantir o seu sustento antes da partida. Formalidade de que encarregou advogado. Não estando satisfeita como ela desejava, esta segurou-o." Porém, garantia-se que em poucos dias iria estar em Guimarães, como efectivamente sucedeu.

Assim, chegou a tempo de participar no primeiro jogo daquela temporada, um amigável em Vigo, onde o Vitória disputou o primeiro jogo desse ano. Fruto dessa estreia e das expectativas criadas pelo mágico brasileiro, muitos vitorianos rumaram aos Balaídos para acompanharem a partida. Como se vê na fotografia que descobrimos no livro de Custódio Garcia, o presidente Manuel Cardoso do Vale fez-se acompanhar por Antero Júnior e Fernando Roriz (que viriam a ser presidentes anos depois) bem como Belmiro Jordão, Alberto de Sousa e Altino Dias, que estavam sentados. De pé pode-se ver José Oliveira Nogueira, Joaquim Marinho e António Mota, todos curiosos por um Vitória que prometia entusiasmar.

Nesse dia, apesar disso, a equipa composta por Roldão; Freitas, Daniel; Inácio, Manuel Pinto, José Carlos; Morais, Peres, Djalma, Mendes e Vieira, perderia por um golo solitário apontado pelo avançado galego Silvestre. Quanto a Djalma, "não rendeu, certamente, também, o seu melhor", ainda que o conjunto vitoriano, apesar da derrota, realizou uma boa exibição a ponto de se escrever "melhor a exibição que o resultado." Quanto a Djalma, indiscutivelmente, o melhor estava para vir, mas isso já serão outras histórias...

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