COMO O CHARLÃO DO BALNEÁRIO TORNOU-SE NO REI CHARLES DA HISTÓRIA VITORIANA...

Não é difícil gostar de Charles...

E não é, por ele agora, ter ascendido, merecidamente, aquela condição que daqui a 100 anos, ainda se falará dele!

Isso só comprovou a sua dimensão como homem!

Contratado para suplente de Bruno Varela, por essas alturas indiscutível, aceitou essa condição com um sorriso na cara, sem levantar ondas, mas a trabalhar para quando fosse necessário dizer que sim. A oportunidade chegaria, fruto de uma lesão do, então, capitão vitoriano e não a faria por desmerecer, chegando ao ponto de ganhar um prémio de guarda-redes do mês.

Porém, quase ao mesmo tempo, em que recebia esse prémio, voltava a ser suplente... ainda que continuasse como uma referência do balneário, o "Charlão" como lhe chamam e que é figura consensual, respeitada e admirada por todos.

Assim, na sombra de Bruno estaria até ao final da última época. Com a partida deste, pensou-se que tinha chegado finalmente a sua vez. E chegou! Mas, fruto do início titubeante da equipa e até alguma pressão pela titularidade, perderia o lugar para o jovem Castillo.

Dele, continuou-se a não ouvir qualquer lamento, qualquer crítica... a fazer o seu trabalho, bom balneário e a dizer que estava pronto para o que desse e viesse.

Surpreendentemente, voltaria à titularidade na meia final da Taça da Liga. Seria grande, enorme, imenso, negando em, pelo menos, oito vezes que o Sporting duplicasse a vantagem e retirasse o Vitória do jogo, antes do furacão N'Doye dar a volta ao texto. Uma exibição capaz de entrar na das melhores de sempre de um guarda-redes vitoriano, ao nível da de Neno em Liege ou de Nilson na Luz na Taça de Portugal de 2005/06.

Mas, se esteve imperial frente ao Sporting, o que dizer da final frente ao eterno rival? Ainda que tivesse tido um deslize no final da primeira parte (os heróis são humanos e, por vezes distraem-se) como podemos olvidar as suas defesas milagrosas, elásticas e absolutamente decisivas?

Mas, para a história ser perfeita, ainda, teria de viver um daqueles momentos que qualquer guarda-redes sonha quando abraça a vida nas balizas. Uma grande penalidade no último minuto, defendida num voo felino combinado com nervos de aço e força de espírito inquebrantável. Um prémio justo para quem nunca desistiu, mesmo sem jogar, de ser útil ao Vitória...

Em Leiria, o Charlão do balneário, o tipo simpático do qual todos gostam, tornou-se em Rei Charles entrando nos tops das mais belas melodias da história vitoriana!

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