COMO, COM SOFRIMENTO E QUASE SEMPRE COM POUCA BELEZA, OS CONQUISTADORES PUDERAM FINALMENTE SORRIR...

I - Não foi bonito mas foi o bastante. Não foi tão tranquilo como todos gostaríamos, mas serviu para exorcizarmos demónios antigos. Continuamos a não ser convincentes, mas acima de tudo mantemo-nos no pelotão daqueles que lutam pelos lugares logo atrás dos três mais mediáticos...

II - Porém, mais uma vez o Vitória entrou titubeante no jogo. Com uma tríade no meio campo onde merecerá realce o regresso de Beni, depois da expedição à CAN, e com Camara no banco, o Vitória nem de longe, nem de perto foi convincente durante os primeiros quarenta e cinco minutos do desafio.

III - Mais do que isso... permitiu que o Nacional da Madeira controlasse a partida, tivesse as melhores oportunidades deste momento do desafio, o que fazia antever dificuldades em conseguir alcançar o objectivo principal. E, durante vários momentos, temeu-se que mais uma vez os Conquistadores acabassem a noite sem um esgar de felicidade no rosto, ou, pelo menos, de alívio pelo resultado obtido.

IV - E assim chegar-se-ia ao intervalo. Luís Pinto terá percebido (e bem!) que faltava criatividade à equipa e quem pensasse o jogo, definindo-o com critério. Por isso, a inclusão do jovem Diogo Sousa em detrimento de Samu, que parece em clara crise de confiança, pareceu ser uma boa opção...ainda que tal levasse a que o Vitória jogasse com um tríade medular composta por este, Beni e Gonçalo Nogueira.... Talvez a faltar um elemento desequilibrador.

V - E, talvez por isso, a segunda metade, quanto ao Vitória, tenha-se iniciado nas mesmas bases com que a primeira findara. Com o perigo arredado da baliza do Nacional. Até que Luís Pinto mexeu na equipa, novamente... e foi feliz. Com efeito a entrada de Camara e N' Doye em jogo foram tiros felizes. Não, pelo que ambos deram ao jogo, mas, acima de tudo, pela passagem de Noah Saviolo para o lado direito onde iria ser absolutamente decisivo.

VI - Verdade seja dita, que N'Doye falharia um golo de modo incrível, daqueles que nos leva a questionar como foi possível acertar nas orelhas da bola, quando bastava desviá-la do guardião contrário. Mas, nesse momento, ter-se-á sentido que o Vitória estava melhor, mais forte e, finalmente, a empurrar o adversário para o seu derradeiro reduto.

VII - Até que apareceu, definitivamente, a mais bela revelação vitoriana da presente temporada. Aquele que tememos que nos possa deixar já este mês, ainda que a troco de muitos milhões. Noah Saviolo, de seu nome. O menino belga, com raízes angolanas, que alia imprevisibilidade a poder de explosão, técnica a força, inteligência à fortuna. Na verdade, só ele saberá o grau de intencionalidade naquele centro remate que a todos surpreendeu... mas a verdade é um momento de estética rara e inatacável colocou o Vitória a vencer e o mais difícil estava feito.

VII - E tal confirmar-se-ia, com Saviolo a ver-lhe ser negado o bis por poucos centímetros e depois Rodrigo Abascal a ampliar a vantagem vitoriana. Merecerá o uruguaio algumas palavras... esteticamente questionável, tem sido de uma utilidade extrema. Faz cortes providenciais, tem uma qualidade de passe longo acima da média e, ainda, tem a coragem de se aventurar no ataque e não só para aquele número dos lançamentos de linha lateral longos... numa equipa de meninos, a sua atitude é uma mais-valia meritória.

VIII - Pensou-se que a partida estava resolvida. Puro engano! Este Vitória tem uma vertente sádica que gosta de activar. Sente prazer em sentir-se a sofrer. Alimenta-se da necessidade de acabar o jogo com o credo na boca e a dar chutões para o tempo passar. Por isso, o golo do Nacional da Madeira a 2/3 minutos do final serviria para não deixar esmorecer essa veia. Um momento de desconcentração desnecessário e que serviu para todos testarem as pulsações na bancada...

IX - Contudo, o jogo terminaria com or egresso dos Conquistadores aos triunfos. De forma sofrida mas saborosa. A fazer projectar com outra confiança o difícil desafio de Terça-feira perante o Sporting. Mas, numa partida a eliminar, em campo neutro, sem prolongamento, provavelmente, as forças estarão mais equilibradas... mas, para isso, será preciso alma, concentração e aquela centelha de talento que hoje um menino que nem pré-época fez demonstrou!

X - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...

Postagem Anterior Próxima Postagem