I - É do senso comum que uma pessoa vaidosa é uma pessoa orgulhosa, que se sente enobrecida por determinado estatuto ou qualidade e que, apesar de alguma sobranceria, ostenta ou demonstra algum valor.
Acreditamos, por isso, que os jogadores que envergam a camisola do clube do Rei devem sentir vaidade em actuar no quarto clube mais importante do país e que devem demonstrar à "boca cheia" esse orgulho... essa vaidade.
II - Mas, diga-se se o objectivo era "desenvaidecer" a equipa, este estará a ser cumprido na perfeição.
Onde anda o Vitória de futebol fluido e de olhos postos na baliza?
Onde anda o Vitória dos centrais mandões e duros que tivemos durante muitos anos na sua história?
Onde anda o Vitória do futebol rendilhado, bem gizado, com organização e estratégia?
Onde anda o Vitória de avançados letais, capazes de colocar em sentido os defesas contrários?
Para não fugir muito, onde anda o Vitória que há um ano aprestava-se para entrar na Fase de Grupos da Liga das Conferências e onde aí deu cartas?
Realmente, todas as lendas que respondem às questões anteriores, poderão sentir-se com vaidade em ter representado o Vitória e sem estes atributos será difícil
III - Hoje, em Alverca, assistiu-se a um atroz retrocesso do que se houvera visto no derby do Minho. Com Noah Saviolo no lugar do lesionado Gustavo, esperava-se que os bons indícios deixados no passado Sábado fossem confirmados hoje.
Puro engano! Desde o primeiro minuto, a equipa foi incapaz de assumir o jogo, de levar a cabo uma estratégia que se impusesse ao adversário, foi humilde ao assumir a incapacidade de controlar o jogo.
IV - E, assim seria na primeira parte, ainda reforçada por um lance daqueles que só sucedem ao Vitória. Num livre inofensivo, Beni terá sido descuidado como abriu o braço. Assim, a bola bateu-lhe neste e, após. consulta do VAR, a decisão seria em prejuízo dos Conquistadores... e seria apontada a grande penalidade que haveria de abrir o activo no desafio.
Esgares de preocupação, que seriam atenuados com a expulsão do médio defensivo do Alverca e toda uma segunda parte para jogar.
V - Nesta, contra 10, o Vitória entrou de outro modo. Deixando no banco o inoperante e inexperiente Saviolo e o pouco influente Beni, para entrarem Samú e Fabio, seria logo no primeiro minuto que Miguel Nogueira falharia a oportunidade mais flagrante da partida. Mais fácil não perceber como falhou, quando o desenlace mais óbvio era o golo. Pensava-se, contudo, que contra dez, e com outra atitude, fosse possível dar a volta ao texto.
VI - Porém, a partir daí, nada aconteceu. O Vitória, sem soluções, sem estratégia, sem ideias, limitou-se a bombear bolas para a área e a rematar do meio da rua. Luís Pinto que, apesar de não ter os "ovos" que os seus antecessores tiveram, voltou a demonstrar não saber "fazer omeletas", limitando-se a descarregar jogadores para as imediações da área adversária. Sem ideias, sem desequilíbrios, sem oportunidades, a partida desenrolar-se-ia sem o golo vitoriano se vislumbrar.
VII - Surgiria, isso sim, num contra-ataque o segundo do Alverca. A jogar com 10. Contra um Vitória de cabeça perdida, com jogadores em desespero, sem soluções, nem astúcia para chegarem ao empate, onde a maior esperança terá residido numa simulação de Rivas que, em primeira instância, enganou o árbitro, mas não o VAR.
VIII - Somava, assim, mais uma derrota o Vitória. Na verdade, assim, não há como ser vaidoso, atendendo aos cinzentos desempenhos de uma equipa em que o próprio líder máximo impôs como condição mínima a obtenção do quinto lugar, sob pena de ele também partir.
O que irá mudar para tal acontecer? É que assim, infelizmente, atrevemo-nos a dizer, será impossível.
IX - Segue-se o Santa Clara e qualquer resultado que não seja vencer será mau. Mas, para isso muito terá de mudar, sendo certo que será com esta equipa que teremos de ir em frente.
Ora, sendo estes os atletas com que teremos de contar, só teremos mesmo de os apoiar...pois se gostamos do Vitória, nunca a ideia do décimo segundo jogador fez sentido. E, humildemente, todos nós ajudarmos a equipa...
X - VIVA O VITÓRIA, SEMPRE...
