Mário Roldão foi o guarda-redes icónico do Vitória na década de 60 do século passado, altura em que os Conquistadores se afirmaram decisivamente na alta-roda do futebol nacional.
Foram oito temporadas de Rei ao peito, de um homem que haveria de ceder o testemunho ao alentejano Francisco Rodrigues, mas que, para sempre, ficou na memória dos vitorianos. Aliás, Roldão tornou-se num vimaranense de adopção, vivendo na Cidade Berço até 2021, altura em que faleceu, tendo mesmo confessado ao jornal do Vitória de 18 de Julho de 2000 que "acima de tudo sou vimaranense e, mesmo quando vou a algum lado, estou ansioso por vir para Guimarães, que é a minha verdadeira terra. É cá que eu me sinto bem, que tenho a minha vida e os meus amigos."
Porém, essa relação de amor poderia nunca ter chegado a existir, atendendo ao Vitória que encontrou, quando chegou proveniente do Leixões no início da época de 1962/63. Na verdade, o guarda-redes assumiu que "Vim para o Vitória e não havia rigorosamente nada", sendo tal realidade revertida pelo treinador argentino José Valle.
A reforçar essa asserção, o facto de "eu e os meus colegas não tínhamos meias para treinar, porque as mesmas já estavam rotas. Se chovesse, já não treinávamos no dia seguinte porque as camisolas ficavam molhadas." Por isso, para poder fazer o grupo progredir "chegou a tomar posições do estilo "Não treinamos porque não há equipamentos suficientes." Ora, tal obrigou a que um dirigente tivesse de arranjar todos os equipamentos em contra-relógio, para impedir que a equipa parasse.
Por isso, não tinha pejo em afirmar que depois de ter passado pelo FC Porto, ainda que chegasse proveniente do Leixões, vir para o Vitória "foi exactamente como sair de um bairro de luxo para um bairro pobre", pois "no FC Porto havia sempre um director que nos acompanhava até nos Campeonatos do Mundo, quando representei a Selecção Nacional de Juniores em 1954."
Porém, as dificuldades, como em muitas situações, ajudam a reforçar os vínculos. Talvez, tenham sido elas e a formar um sentimento tão grande que durou até à sua morte...
