Aquela temporada de 1985/86 foi inesquecível.
Sob o comando de António Morais, e com um avançado que no Porto pouco ou nada fizera, Paulinho de diminutivo e Cascavel em honra à sua localidade, o Vitória fez um campeonato de mão cheia. Ao ponto de no, ainda, Municipal ter feito o all-in em relação aos emblemas mais titulados.
Com efeito, os Conquistadores começaram, por logo, vencer à terceira jornada o Benfica por duas bolas a uma, para, ainda, na primeira volta triunfarem sobre o Sporting num desafio frenético por quatro bolas a três, culminando com um triunfo perante o FC Porto por duas bolas a uma.
Numa caminhada em que os principais adversários se ajoelharam, a equipa vitoriana terminou a primeira volta no terceiro posto, a apenas dois pontos do líder Benfica e com todas as condições para sonhar com um feito inédito...ainda que tivesse de enfrentar os três mais poderosos emblemas do futebol nacional na casa destes na segunda volta da competição. Não obstante isso, merecerá realce como o Livro dos 50 Anos do Desporto publicado pela Bola, definia o feito vitoriano após, os Conquistadores terem abatido os Dragões: "Tropeção do FC Porto em Guimarães, a terra que decidira ganhar aos grandes."
Depois desse belo momento, e após empatar em Setúbal a dois e golear o Sporting da Covilhã por cinco bolas sem resposta, em tarde feliz de Cascavel e de Bobó que bisaram, e que levou o jornal Notícias de Guimarães a concluir que tínhamos um "Vitória intrometido nos grandes", seguia-se uma espécie de tira-teimas frente ao Benfica. Uma partida que, apesar do Vitória chegar ao intervalo a liderar, teria o cunho do árbitro José Guedes, que levou mesmo a que o jornal consultado, chamasse à equipa de arbitragem "uns palhaços vestidos de negro, armados em juízes, que dão cabo das equipas e matam o futebol.”
Uma amargura enorme, imensa e que seria verbalizada pelo homem que se havia tornado o "menino bonito" de todos os vitorianos. O aríete encarregado de transformar os sonhos em realidade, através de golos. Paulinho Cascavel que, em entrevista ao jornal A Bola de 30 de Janeiro de 1986, 11 dias após o famigerado e falseado encontro na Luz, simplesmente diria que "O Vitória seria líder se não tivesse sido prejudicado pelas arbitragens."
Assim o fora nesse ano, assim haveria de continuar a ser, nada mudando até aos dias de hoje e à presente época... mas, isso já será outra história!
